julho 26, 2024

CELEBRAÇÃO DOS 75 ANOS DO COLEGIO “INFANTE DE SAGRES” MALIANA, 1948 – 2023 Featured

By Pe. Domingos Maubere outubro 13, 2023 784
Pe. Domingos Maubere. Foto:Dok. Pe. Domingos Maubere. Foto:Dok.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

É um grande prazer estar aqui e dizer algumas palavras.

Ao celebrarmos os 75 anos desta instituição, somos convidados também a olhar para os desafios presentes e futuros. Se o nome “Infante de Sagres” significa alguma coisa, é exactamente isso: Dom Henrique, o Infante de Sagres, era um infante corajoso, visionário e realizador de grandes sonhos. Hoje celebramos os sonhos e os projectos realizados pelos nossos grandes missionários, professores e catequistas da antiga Estaçao Missionária da Maliana.

Um dos objectivos centrais de uma instituição educacional é o de preparar os quadros para a sociedade. Começo por lembrar os objectivos do Estado no Art. 6 da Constituição da RDTL:  (a) Garantir e defender a soberania do país;  (b) Garantir e promover os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e o respeito pelos principios do Estado de direito democratico; c) Defender e garantir a democracia politica e a participação popular na resolução dos problemas nacionais; d) Garantir o desenvolvimento da economia e o progresso da ciencia e da técnica; e) Promover a edificação de uma sociedade com base na justiça social, criando o bem-estar material e espiritual dos cidadãos; f) Proteger o meio ambiente e preservar os recursos naturais; g) Afirmar e valorizar a personalidade e o património cultural do povo timorense; h) Promover o estabelecimento e o desenvolvimento de relacões de amizade e cooperação entre todos os povos e Estados; i) Promover o desenvolvimento harmonioso e integrado dos sectores e regiões e a justa repartição do produto nacional; j) Criar, promover e garantir a efectiva igualdade de oportunidades entre a mulher e o homem”.

Qual é a nossa contribuição para a realização destes objectivos do Estado? Hoje vou falar, como antigo aluno deste colégio, de três desafios para o futuro.

O primeiro desafio é a fraternidade humana no nosso país. O Documento sobre a Fraternidade Humana em Prol da Paz Mundial e da Convivência Comum é uma declaração assinada pelo Papa Francisco e pelo Grão Imam de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, a 4 de Fevereiro de 2019 em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Um ano depois, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 4 de Fevereiro como o Dia Internacional da Fraternidade Humana (21 de Dezembro de 2020), para reforçar a promoção de valores já consagrados na Carta das Nações Unidas (26 de Junho de 1945) e na Declaração Universal dos Direitos do Homem (10 de Dezembro de 1948) e noutros instrumentos das Nações Unidas. Mas os políticos no mundo continuam a provocar divisão e guerras em todos os continentes. Todas estas guerras militares são no fundo provocadas para responder a projectos políticos e económicos. Uma das suas muitas consequências negativas é o sofrimento de milhões de vítimas e de refugiados. A nível micro temos as nossas invejas que são a fonte das nossas pequenas guerras entre pessoas, entre famílias,  entre bairros e comunidades. Fraternidade significa respeito, solidariedade e democracia. Em democracia, os dirigentes políticos são eficazes, competentes e transparentes que desempenham as suas responsabilidades com entusiasmo, paixão e sentido de responsabilidade. Quem prepara os líderes políticos democráticos de amanhã? A resposta está nas nossas escolas de hoje. Podemos construir uma sociedade mais fraterna se todos juntos lutarmos contra as injustiças sociais, a corrupção política e económica, camuflada pela mentira, através da qual alguns gozam prazeres indevidos e a maioria sofre em silêncio, porque os que deviam falar estão calados e muitos têm medo. Ainda há gente que morre por falta de boa comida, por falta de cuidados médicos, falta de remédios, falta de fraternidade. Eu penso que devemos continuar a sonhar com um mundo de fraternidade!

O segundo desafio é a educação de qualidade. A nossa maior riqueza são os jovens que devem ser preparados com uma educação de qualidade humana e competência professional para o mundo de amanhã. Educação de qualidade significa formar os jovens para a um mundo novo de amanhã que nós nem imaginamos como será. Por isso é importante formar a criatividade e o espírito crítico para o desenvolvimento integral dos jovens. Os jovens não devem decorar fórmulas de comportamento que os fazem escravos sem dignidade pessoal. Ou entendem ou não entendem, mas decorar não os prepara para a aprendizagem profunda que encontra soluções para os grandes problemas da vida. É essa inteligência vital que fará dos jovens de hoje, homens e mulheres de amanhã para Deus e para os outros, cheios de fraternidade e de solidariedade, gente que luta pelos bem dos outros. Temos um longo caminho pela frente até conseguirmos a educação de qualidade.

O terceiro desafio é o Reino de Deus. Como Jesus disse no Evangelho, o Reino já está entre nós, mas ao mesmo tempo ainda é preciso construí-lo. A Igreja é a semente do Reino, caminha para o Reino, mas não é o Reino de Deus. Por isso, é necessário pensar mais em Deus e nos pobres das bem-aventuranças do capitulo 5 de Mateus do que nos interesses das estruturas. Precisamos de conversão pessoal e institucional. Por isso o Papa Francisco fala da Igreja em saída para o mundo ao encontro das pessoas reais, e fala da Igreja como hospital de campanha, para ir ao encontro das necessidades espirituais profundas dos homens e das mulheres no mundo da vida real. Somos chamados a ser uma Igreja cheia de compaixão e de solidariedade. Todos nós precisamos de ser homens e mulheres do Reino de Deus, homens e mulheres para Deus e para os outros, que cultivam a fé, a esperança, e a caridade. É esse um desafio para o Colégio “Infante de Sangres”: preparar operários de qualidade para a construção do Reino de Deus na nossa terra.

 

Para concluir, os objectivos da educação e da escola segundo o Vaticano II devem estar orientados para o serviço da pessoa e da comunidade humanas. Falando, concretamente, das Escolas Católicas, a Declaração Gravissimum Educationis, fala: “Assim, a escola católica, enquanto se abre covenientemente as condições do progresso do nosso tempo, educa os alunos na promoção eficaz do bem da cidade terrena, e prepara-os para o serviço da dilatação do reino de Deus, para que, pelo exercício de uma vida exemplar e apostólica, se tornem como que o fermento salutar da comunidade humana. Os objectivos do  Estado, mencionados atrás, devem ser traduzidos em políticas sociais por pessoas competentes, técnicos e políticos, que saem das nossas escolas. Num mundo fraterno, democrático e justo todos têm o seu lugar e ninguém fica para trás no desenvolvimento humano integral no quadro do Reino de Deus. O Colégio “Infante de Sagres”, bem como todos os nossos colégios maculinos e femininos, e escolas católicas, teêm uma grande missão para os próximos anos para o bem de Timor e do Mundo.

Parabéns, “duc in altum”.

Tenho dito.

Pe. Domingos Maubere

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